sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

é isso que eu amo, esses momentos que sempre acontecem do nada. imprevistos, efêmeros.
são tantos, e tão frequentes e quase nunca nos damos conta. alguns preferem pensar que é cioincidência, afinidade.
qualquer coisa que seja, a mágica da vida continua por sempre jogarmos com ela. por dançarmos ao mesmo tempo que lutamos para ver quem conduz quem.
por vezes, raras, temos o controle durante um breve tempo.
Seguir o fluxo sem perder o seu ritmo. Sim, é assim que tem de ser.

sábado, 26 de dezembro de 2009

03:15

Sou ridícula. Vago por aí, sem sair do lugar, buscando alguéns para conversar, para nada. Para pasar o tempo que, nessas horas, é infinito para mim. Sono, hoje em dia, tem sido um luxo, porque a mente não para. Consequentemente, meu corpo também não. Me vejo com outros, com oque eu penso que os outros poderiam me oferecer. Idiotice. Idéias da minha cabeça, sendo exteriorizadas, criando expectativas que não serão cumpridas e me decepcionarão. Me vejo só, e na maioria das vezes feliz. O problema são esses lapsos, esses desencontros que tenho de mim, essa vontade de econtrar, de buscar.
Feliz é que tenho milhares de quilômetros, muitas distâncias além da física, que impedem qualquer tipo de aproximação de qualquer coisa que seria um prelúdio para uma hemorragia.
Idiotas não aprendem. esquecem rápido da dor. Que idéia fraca, e tão humana....mais que idéia; desejo. De ter, por uma noite ou duas, alguém que realmente valha a pena. Que faça 24 ou 48 horas equivalentes a três ou quatro semanas. Desejar alguém que não existe além dos limites do meu cérebro, tão racional e que gosta de não o ser. Que brinca de ser outra coisa, faz parceria com o peito e me fazem buscar nos outros minhas idéias, meus conceitos. No fim, ninguém serve. Não é você, é o que eu quero que você seja, e o que eu valorizo para que você seja. É isso que quero:
Uma intensidade não só minha. Algo que me canse, que me esgote de todas as formas possíveis. Que me absorva, me inspire.
Ser inteira, e ao mesmo tempo me espalhar através de batimentos cardíacos, por todo um outro corpo, sair pelos poros, como suor. Como o sangue.
Me ramificar, enraizar, prender. Sugar.
Um orgasmo.
Mil orgasmos.



Até a exaustão.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

five easy pieces

Antes eu pensava que não funcionava sozinha, que não pegava nem no tranco. Que não aguentava o tranco. Me envolvi várias vezes, muito superficialmente, tendo relacionamentos curtos e rasos, esperando que eles fossem mais que isso para que eu funcionasse junto com eles. Faltava aquela engrenagem para que todo o meu maquinário funcionasse, e era algo muito pequeno, mas essencial. A repimboca da parafuseta. Então eu buscava sempre isso neles, procurava a solução para o meu defeito, para a minha peça ausente.
Muitas vezes forcei, tentando de todas as formas fazer com que encaixasse, coubesse no espaço que me faltava e eu sentisse aquele choque, aquela explosão de energia que, pensava eu, só outra pessoa podia me proporcionar.
O que eu não via era que eu buscava o meu conserto em tantas outras peças quebradas, incompletas...que na maioria das vezes não passavam do mais trivial e banal que existe no mundo; uma casca. Mostravam um desempenho ótimo a princípio, uma casca incrível e com uma estética que era boa de se apreciar. Claro que eu aprendi muito cedo que pessoas não são apenas casca. Conseguir uma casca é muito fácil, e também o é deixá-la bonita, exótica. As ferramentas para isso estão em toda esquina. Mas não tem como negar que uma boa casca atrai. Só que elas começam a falhar rápido, a enferrujar.Vi que não serviam mais para o meu propósito, para completar aquela lacuna, aquela energia que existia e que também se multiplicava em mim falhava. Cascas, apenas. Ocas, sem energia alguma depois de qualquer esforço mínimo. Fracas. Propaganda enganosa. Afinal, o tempo sempre mostra o que cabe a cada um. Minha última tentativa, um fiasco.

Curto circuito. Quase falhei, apaguei. Senti que ia pifar.


Desliguei.





Ficou muito claro pra mim porque algumas pessoas são chamadas de lixo. Não há adjetivo melhor pra quem acha que pessoas são descartáveis. Pra quem projeta em outrem o problema e o medo pr[oprio, fazendo com que a culpa também esteja no outro. Pra lixos, é mais fácil transferir o problema pra uma segunda pessoa quando a primeira passa a representar o problema que ele insiste em não resolver. Lixos são acomodados mesmo. Sacos que as pessoas tentam arrastar pra lá e pra cá pra achar um lugar adequado pra ele, enquanto ele fede e apodrece, sujando quem tenta dar um jeito em todos seus adjetivos nada agradáveis, escondidos por um saco plástico.
É o único lixo que não vale investir pra melhorar. Consequentemente, não há reciclagem pra ele.
Gosta de ser lixo.


Cada um vive como quer.




Chega de pensar que encontrei alguém condizente com o nome, que me aquecerá, Pensamento infantil e doce, mas inútil.
Alguém que não fosse fugaz, apesar de inovador. Ingenuidade, claro
Alguém que não fosse só intenso.
Alguém que fosse mais que um Zé. Vez ou outra, o banal ainda engana.
Alguém que fosse mais que um lixo. Covardia não tem cura.

Five easy pieces, after all. Cinco. Fáceis mesmo, tão previsíveis! Tão desinteressantes, depois que me [des]envolvi delas. Livros fáceis de ler. Tanto, que não merecem uma releitura. Tenho boa memória pra coisas óbvias.



Tudo é muito simples e encaixa perfeitamente, é uma receita fácil;
Basta espalhar suas asas.
Então, nada mais pode te machucar.
Minhas possibilidades são infinitas, e eu posso tudo.
É maravilhosa a sensação que eu tenho agora.
Ninguém, além de mim, é responsável por ela.



Afinal, nunca tive medo de ser ou de fazer alguém feliz.

sábado, 21 de março de 2009

Perco o fuso,
Adianto os ponteiros.
Durmo demais.

Espaço, mais que amplo;
confuso.
Noite inquieta.

Muito mais que a noite,
a mente.


14 - 01 - 2009

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Já está escrito.

"Como uma casa não tinha papel?"
A idéia não lhe entrava na cabeça. Papel em branco. Algo que pode ser preenchido por qualquer pensamento ridículo, qualquer imagem, qualquer pornografia.
Verdade é que qualquer papel é bonito - não sendo em branco.
Por sorte, tinha guardado o papel que veio na caixa de sapatos...Muito fino, mas resistente. Aliás, gostava muito dessas antíteses, dos 'entra-e-sai', 'abre-e-fecha'. Adorava o agridoce, e muitas vezes o inventava. Mas os paradoxos lhe sufocavam...Não que fossem demais pra sua cabeça; era capaz de compreendê-los. Senti-los é que era sufocante, como se o corpo não suportasse a quantidade de extremos, de opostos.

As antíteses lhe serviam.

Viu, então, que as pessoas eram papel. Eram escritas, lidas e relidas. Deletáveis, combustíveis. A maioria ainda em branco.
Por vezes puxava pela memória coisas que já tinham acontecido; suas cicatrizes. Se livrara de muitas ao evitar viver as pessoas. Todas tinham navalhas, e sua pele é muito fina.

Os dois últimos anos tinham sido muito conturbados. Metade de sua vida tinha sido alterada pelas possibilidades de como viver a outra metade. Talvez. É.

É; talvez.

sábado, 20 de setembro de 2008

Afinal, ele é um José.

José é um José como tantos outros. Gosta da vida...daquela sensação das coisas novas, das conquistas e da liberdade.

Afinal, ele é um José.

Não consegue ficar só. Digo; até consegue - e gosta -, mas prefere se espalhar em forma de pedaços, em troca de tantos outros pedaços, quase de graça e sem muito esforço. Acaba que os pedaços, para o José, são como aquele chocolate que não tem como ficar sem comer muito tempo, mas que nunca dá pra comer muito de uma vez só.


Algumas vezes os pedaços do José ferem os mais sensíveis, cortando de leve...incomodando no começo, mas logo se tornando apenas qualquer outro pedaço igual ao de qualquer outro José.
E os pedaços do José, de tão espalhados, se tornam miúdos. Praticamente insignificantes.

Afinal, ele é um José.

O que o José não sabe é que quem é de verdade em tudo o que faz não gosta só de pedaços de alguém - muito menos de Josés. Gosta mesmo é do completo; do que é inteiro. do que satisfaz.

E o pequeno pedaço dele, amostra grátis apenas, não sacia sequer o desejo que o José traz em si...Quem dirá o desejo de quem (por sorte ou azar) o aceitou.

Típico de um José.

De um , na verdade.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Opostos.

Vivo em mundos.
O primeiro possui as minhas texturas,
As minhas cores e as várias asperezas.
É nele que eu repouso.

O segundo é traiçoeiro;
Se mostra leve, muito antes sendo cortante.
É nele que me perco.

Separá-los; não consigo.

Ao me cansar do primeiro
Tento abstraí-lo.
Ao me cansar do segundo,
Busco o primeiro.

Me cansando de ambos...
Busco tantos outros mundos
Que na maioria das vezes
Perco o caminho.