quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O mundo é portátil pra quem não tem nada a esconder.

Há muito, eu era alguém que tinha medo de dizer o que pensava, e que permitia que sua voz não fosse ouvida. Aceitava [quase] tudo de cabeça bem baixa.
Com o tempo, com a vivência, fui aprendendo a ter voz.
Mais que isso: fui aprendendo que o que eu penso me faz única, e que partilhar do meu pensamento não significa subtraí-lo, mas adicioná-lo, incluir novas visões. Novos olhos.
E hoje, é raro ter algo ou alguém que me cale, que diminua minha voz.

Em conversas eu nunca fiz questão de esconder meu ponto de vista, por mais que as minhas opiniões fossem contrárias às dos outros.
Falo sim, porque meu pensar é algo só meu, algo que lá no fundo só eu posso desenvolver. Meu pensamento é uma parte abstrata do meu eu, que reflete sempre na minha essência concreta.
Pensamentos, quando compartilhados, não são subtraídos. Eles são adicionados, unindo pequenos pedaços para que cada um se espalhe por aí, na mente dos outros, sem que nunca tenham saído da sua.

Minhas idéias, opiniões...meu tudo se torna, então, meu mundo. Um mundo que eu não calo; que eu deixo gritar...e que muitas vezes estremece tantos outros mundos. Mas, por tornar meu mundo a minha voz, por vezes tenho de carregá-lo. Sempre comigo, sim; não importa. Mas dizer que é leve seria mentir.

O que me surpreende é que, de tão pouco receptivas que as pessoas são, nem o mundo dos outros elas aceitam. Ou, ao menos, respeitam.

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